Bullet Journal, pt. 4 – Customização acessível

Se você já tem a base pra montar seu bullet journal ou já mantém um há algum tempo, você pode sentir vontade de levar ele além do básico. Como a internet está cheia de modificações e decorações de todos os tipos, é muito fácil achar inspiração pra customizar sua agenda.

Mesmo assim, como a maioria das pessoas falando sobre o assunto são americanos com bastante acesso a marcas e materiais que não temos no Brasil ou que são muito caros por aqui, pode ficar parecendo que não dá pra fazer nada legal com o seu caderno. Felizmente, isso não é verdade. Enquanto é legal poder investir em materiais extras no futuro simplesmente pelo apego que você desenvolve pelo seu bullet journal, você não precisa de nada caro ou importado pra deixar sua agenda linda.

Os materiais caros mais usados pelos perfis populares de organização pessoal têm substitutos que funcionam tão bem quanto. É comum nos blogs e canais de maquiagem se ouvir falar em “dupes”, que são basicamente substitutos mais baratos das marcas de grife. Todo tipo de material tem o seu dupe, se trata apenas de achá-los.

Um conselho que eu recebi e no qual eu acredito muito é que o melhor jeito de avaliar se você devia investir em material mais caro é pensar seriamente se é o material que está te limitando. Isso serve pra qualquer coisa, não só pro bullet journal, mas requer um certo nível de honestidade consigo mesmo pra que o desejo de ter alguma coisa não seja maior que a sua racionalidade.

Eu separei alguns dos materiais mais populares (e praticamente inacessíveis) e juntei minha experiência pessoal com a de amigos meus para montar uma lista de substitutos que são bem mais acessíveis, em faixas de preço diferentes. Ah, e esse post não é patrocinado. Mas se você for representante de alguma marca de papelaria eu ficaria mais do que feliz de receber patrocínio, ok? Me liga.


Cadernos

Esse é, obviamente, o material que mais importa pro seu bullet journal. Entretanto, como eu disse ontem e outras vezes, você não precisa de um tipo “certo” de caderno. As marcas mais populares no exterior são a Moleskine (italiana) e a Leuchtturm (alemã), além da Midori e da Muji (ambas japonesas) aparecendo muito com acessórios e complementos pro caderno.

Dessas todas, só a Moleskine é facilmente encontrada no Brasil (algumas papelarias vendem produtos Muji em São Paulo, mas são difíceis de encontrar), até as Lojas Americanas vendem online. Mesmo assim, os preços são mais do que salgados: um caderno de notas tamanho A5 (médio) pode custar até 200 reais. E francamente, quem tem 200 reais pra gastar em um caderno pra usar de agenda?? Aliás, é sempre bom parar pra pensar na hora de escolher seu caderno se você estaria disposto a pagar esse preço por uma agenda convencional.

Pra quem pode gastar ou já mantém um BuJo há algum tempo e quer investir, a Cicero é uma marca brasileira de qualidade igual (ou superior) à Moleskine. Os cadernos da Cicero têm uma variedade imensa, com capas lisas e estampadas, todo tipo de papel e pauta, e custam até 100 reais, com a maioria ficando na linha dos 60.

Bom, isso ainda é muita coisa. Muitas marcas independentes brasileiras fazem cadernos artesanais por menos, e com qualidade muito boa. Algumas indicações são a Cadernitos, Eureka e Alma e Flor, mas tem várias outras marcas por aí com trabalhos parecidos e bem mais em conta. Conhece alguma legal? Recomende nos comentários do post ou no facebook, assim a gente se ajuda!

Pra quem está começando agora ou quer ser bem econômico, eu gosto muito dos cadernos da Tilibra. Sim, aqueles bem simples mesmo. A Tilibra tem tantos tipos diferentes de caderno que basta você escolher a parte de dentro que você gosta mais. Se você quiser uma capa mais bonita ou customizada, é legal fazer uma com contact estampado ou uma colagem fixada com contact transparente. Ah, e sempre bom repetir: o melhor caderno pra começar é um que você já tenha em casa, caso você não se adapte ao método.


Canetas

Não existe tanto consenso com canetas, mas duas marcas que aparecem bastante são a Zebra e a Muji. Mais uma vez, nenhuma dessas é vendida no Brasil. Ao invés disso, a mais popular entre os brasileiros é a UniPin Fineliner, que é feita mais pra ilustrações e tem uma qualidade incrível em diversos tamanhos, mas custa cerca de 20 reais por caneta.

Como eu uso essas canetas pra ilustrações, posso falar um pouco da minha experiência pessoal: ela não “sangra” pra página de trás do caderno, mas borra um pouco (canhotos do mundo, uni-vos) e não dura muito. A ponta é muito frágil e vai ficando achatada ou se quebra em apenas alguns meses de uso frequente, então, apesar das várias vantagens dela, pode não ser a melhor escolha.

Ainda da Uni e com um preço parecido, tem a minha queridinha que já dura um ano sem falhar: a Uni-Ball Signo 207. Ela não borra e dura muito, então como investimento pode ser melhor que a UniPin. A série Uni-Ball em geral é muito boa, mas as canetas de gel borram muito e começam a falhar bem rápido. O lado positivo delas é que a variedade de cores é imensa e elas tendem a ser metade do preço das outras.

Mais acessíveis são as infinitas variedades da Bic. Todo mundo conhece a Bic basicona, aquela que a gente compra por alguns centavos e dura até a gente perder, então ela pode parecer muito comum comparada às outras, mas pense bem: quando que uma Bic te decepcionou? Em papelarias maiores você encontra uma variedade enorme de canetas da marca, e pode testar em um papel de amostra quantas você quiser até achar uma que escreva suave e tenha uma pigmentação boa. Eu comecei meu primeiro bullet journal com a caneta esferográfica de 4 cores da Bic, e 2 anos depois ela ainda é a caneta que eu mais uso na vida (sim, tirando a parte verde ela tá durando até agora).


Canetas para decoração (Fineliners)

Pra adicionar alguns detalhes mais bonitinhos e coloridos, as queridinhas do universo do bullet journal são as da Stabilo, de ponta fina. Elas têm muitas cores e ficam bem vibrantes no papel, mas custam em média 15 reais e, bem, se o objetivo é ter variedade fica complicado comprar um monte ou um kit. Elas também têm o mesmo problema da UniPin: a ponta é bem frágil e acaba não durando muito, mas a carga dura muito tempo.

Honestamente, vale muito mais a pena comprar uma caixa de lápis de cor. A Faber Castell é a mais popular, claro, mas qualquer marca funciona. É meio contraintuitivo usar um material completamente diferente pra substituir outro, mas os lápis de cor têm tantas vantagens que na verdade faz todo o sentido do mundo. Pra cobrir áreas maiores você acaba ficando com pena de usar uma caneta, mas não um lápis, e se você apontar bem o lápis você consegue um efeito bem parecido com o da caneta.


Canetas grossas (Mildliners)

Principalmente por causa da Zebra, uma marca japonesa de papelaria, os tais mildliners explodiram na internet e viraram praticamente obrigatórios pros “profissionais” do bullet journal. Isso é um tanto quanto engraçado se você olhar pra como essas canetas mais grossas são usadas e ver como elas são. Bom, elas são nada mais nada menos que marca-textos com um nome diferente e cores variadas.

A não ser que você esteja disposto a comprar (em dólares) pela Amazon ou outro site do tipo e esperar meses por um marca-texto pra ter uma marca renomada e cores pouco tradicionais, não faz o menor sentido ir atrás dessas canetas. Voltando ao conforto do nosso material tradicional de papelaria, a própria Bic vende cores diferentes de marca-texto.

As versões “Brite Liners” das 6 cores tradicionais de marca-texto (amarelo, verde, azul, roxo, rosa e laranja) são menos fluorescentes e mais macias que as versões tradicionais que geralmente usamos pra livros escolares. Tirando a verde, todas são versões mais claras e puxadas pros tons pastéis das cores tradicionais (a verde é mais escura e sóbria).

Pessoalmente, eu não gosto muito do amarelo tradicional nem da versão levemente diferente das Bic Brite Liners, mas as combinações entre as outras 5 cores tradicionais e adaptadas ficam muito bonitas. Ah, essas versões são um pouco mais caras que os marca-textos mais fluorescentes, mas custam em média 6 reais. Nada mal pra um substituto de uma marca importada.

Você também pode usar as canetinhas “pilot” de outras marcas. A Faber Castell fabrica pelo menos 4 variações desse tipo de caneta, com características diferentes (não consigo achar o nome, mas as canetinhas mais finas e compridas são mais suaves e mancham menos).

Se você estiver usando um caderno de páginas finas, não é muito recomendável usar nenhum desses materiais, porque eles vão manchar. O melhor é sempre levar uma folha-amostra do seu caderno e testar as canetas na papelaria antes de comprar.


Adesivos

Muitas pessoas usam adesivos feitos pra scrapbook, que custam até 30 reais a cartela, nas suas agendas. Se você passou pela época do ensino fundamental quando todo mundo trocava adesivos mas nunca usava, tente achar seu álbum no fundo do armário porque depois de ficar guardando eles pra “alguma coisa especial”, a coisa especial finalmente chegou.

Se não, a solução mais simples pra imitar o efeito de adesivos é imprimir imagens que você goste em um papel comum (isso é ótimo pra quem tem acesso fácil a impressora), recortar e colar no seu caderno. Como você não vai ganhar dinheiro com isso, você não precisa se preocupar com direitos de uso de imagem (a não ser que o artista já venda esse desenho como adesivo), mas é sempre legal dar crédito ao artista se você for postar uma foto na internet.

Caso você não tenha acesso fácil a impressora, você pode fazer colagens ou desenhar no seu caderno, tornando ele ainda mais pessoal e único. Não precisa de talento nem nada muito elaborado. Você não rabisca no seu caderno de aula? Então, você sabe desenhar. Não duvide tanto da sua capacidade de embelezar alguma coisa, só se divirta.

Ah, e um pequeno lembrete: Pinterest, Google, WeHeartIt e “a quem pertencer” NÃO SÃO FONTES. Faça o mínimo esforço pra encontrar o artista, já que você está usando o trabalho de alguém de graça.


Fita estampada (Washi)

Assim como os mildliners, a fita Washi ou estampada, por nenhum motivo óbvio, virou quase obrigatória na internet, mesmo que quase não tenha uso. O preciosismo em volta dos materiais de papelaria usados na decoração do bullet journal é enorme, mas com a fita Washi ele atinge níveis surreais. Mesmo quem compra esse durex colorido mal usa, porque os rolos são tão caros (os da Post-It podem chegar a 40 reais no Brasil) que você não quer “gastar por qualquer coisa”.

Vou ser bem honesta: eu caí nessa. Eu me convenci que uma fita de 20 reais ia fazer maravilhas por mim e depois coloquei ela num pedestal pra mal usar. Por favor, aprenda com o meu erro: não vale a pena. Use cola ou fita comum.

Se você mesmo assim tiver uma vontade enorme de ter esse efeito no seu caderno, ele é relativamente fácil de copiar. Basta imprimir uma estampa ou imagem que você goste em papel comum, cortá-la em tiras retas e depois colar. Você vai usar sem preciosismo nem culpa e além de tudo vai ter uma variedade de estampas que você gastaria uma fortuna pra ter em fita Washi.


Post-It

Ah, Post-It. Aquela marca que virou sinônimo do quadradinho de papel colante. Aquele objeto de desejo do corredor mais caro da papelaria. Aquela coisa que faz você pensar “como que um bloco de retângulos de papel colorido com uma fita de cola pode custar 20 reais?”. Ele parece indispensável porque sempre vemos ele em qualquer escritório, mas quando você para pra pensar no preço ele simplesmente não faz nenhum sentido.

Atualmente a marca tem variado cada vez mais em cores, tamanhos e formas. Algumas empresas diferentes já fizeram até post-its com formato e cheiro de nachos. É muito, muito fácil ser atraído pelo charme simples do post-it superfaturado.

Existem, é claro, as versões mais simples e mais baratas. Mas sabe o que é ainda mais barato e vem em qualquer formato que você quiser e geralmente em uma dúzia de cores? Papel A4 colorido. Com menos de 5 reais você compra um pacote de várias cores diferentes (algumas marcas têm até versões fluorescentes) e com muitas folhas, que você pode recortar em qualquer tamanho e formato que quiser e depois colar na sua agenda. No final das contas, a fixação vai ser até melhor.

Não dá pra abrir mão do post-it completamente, até porque ele serve pra mais do que decorar o seu bullet journal, mas dá pra evitar gastos exagerados.


Espero que esse post te ajude a evitar o complexo de inferioridade que as fotos inspiracionais do mundo do bullet journal podem causar. Lembre-se sempre que o seu caderno é pra você e mais ninguém e que ele não vai mudar radicalmente do dia pra noite, mas sim com a prática.

Se você conhece mais algum substituto legal, por favor compartilhe! É sempre bom descobrir novas marcas e possibilidades mais acessíveis. Da mesma maneira, se você achou que ficou faltando alguma coisa, pode me contar. A semana do bullet journal não vai ser a única vez que eu vou falar sobre o método por aqui, então sempre dá pra cobrir os buracos depois.

Mil desculpas pela falta de fotos, o Rio resolveu ficar nublado hoje (não que eu vá reclamar) e eu acabei não conseguindo fazer nada muito bom. Vejo vocês amanhã pro último post da série!


Parte 1 – Introdução
Parte 2 – Tutorial de montagem
Parte 3 – Mitos e manutenção
Parte 5 – Hacks


Reflexões de hoje:

Eu estou me deixando levar pelas expectativas construídas por pessoas com realidades muito diferentes da minha?

Como eu posso tornar o meu bullet journal único com a minha decoração?

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